Escrevo esse post às 00:20 desta segunda-feira. Sim, estou com sono e estava sem inspiração no final de semana para qualquer assunto. Ainda assim, após os resultados da eleição, o assunto que abordo hoje misturou-se na minha mente com o novo cenário político da minha cidade e – provavelmente – país. Comecei escrevendo um pouco sobre o que exploro mais agora no texto Preciso urgente de uma vida mais simples. Alguém se lembra?

Nele, resumidamente, listei as vontades e atitudes que tenho e começo a praticar para mudar de vida. Acontece que não foi o bastante. A angústia da vida moderna não me deixa em paz e eu decidi mergulhar ainda mais em mim e nas alternativas que o mundo me oferece em prol de bem-estar. Com as notícias de verem eleitos uma corja de cidadãos duvidosos e corruptos para administrarem nossas cidades eu pensei ainda mais no meu e no futuro da minha família…

Quero te contar sobre uma nova jornada de vida que começo agora e que desejo compartilhar passo a passo. Tem cara e jeitão de radical mas quando eu te apresentar as metas, vai entendê-lo e quem sabe, inspirar-se nele também. Quero te apresentar ao Simplicidade Voluntária.

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Acho que a definição mais acertada e direta é a descrita na Wikipédia:

Vida simples ou simplicidade voluntária é um estilo de vida no qual os indivíduos conscientemente escolhem minimizar a preocupação com o “quanto mais melhor”, em termos de riqueza e consumo. Seus adeptos escolhem uma vida simples por diferentes razões que podem estar ligadas a espiritualidade, saúde, qualidade de vida e do tempo passado com a família e amigos, redução do stress, preservação do meio ambientejustiça social ou anti-consumismo, enquanto outros escolhem viver mais simplesmente por preferência pessoal ou por razões econômicas – embora a vida simples seja essencialmente uma escolha e nada tenha a ver com “pobreza forçada”.

Pra mim tudo começou quando fiz 27, em agosto desse ano. Até então eu só reclamava e não sabia explicar ao certo o motivo de tanta frustração, todo santo dia. Me incomoda(va) ao máximo acompanhar de camarote a degradação da sociedade e de mim mesma. Para ser mais clara, cito alguns de muitos exemplos:

Tá rolando por aí um pedaço da minha história de vida que me orgulha muito. Mas por que será que ao ascender um pouquinho da miséria extrema para o “casei, moro em um apê confortável, tenho um carro na garagem e toco meus projetos” eu comecei a torcer o nariz para a galera que briga por assento no trem? Eu sou jovem, saúde ok, faço o que gosto e estou aí, toda operante. Por que não me esforço para entender que essas pessoas estão como “mortos-vivos” com baixa qualidade de vida, saindo cada vez mais cedo e chegando cada vez mais tarde em casa por causa de trabalhos pesados que remuneram mal? Um dia meu marido me disse: “Conseguir sentar é uma vitória, em mais um dia de cão, na vida dessas pessoas”. Ele está certo.

Meu vizinho trocou seu carro 2006 por um do ano. Financiou o apartamento pelo Minha Casa, Minha Vida como os outros e vai pagar em 30 anos. Cruza São Paulo no trem para chegar ao trabalho, no centro. Já não leva mais marmita pois agora tem VR e o VA fica com a esposa que confortavelmente, ainda que difícil, pode estar em casa para vigiar pelo bebê do casal. Orgulhosamente conta que este ano foram a Miami pela primeira vez e trouxeram felizes seus sonhos de consumo – e o de toda a família também. Visivelmente está sendo favorecido por um avanço econômico dos últimos anos no Brasil (não, não vim falar de política hoje) mas esta semana bradou aos quatro ventos sua insatisfação com os gastos do condomínio com a lixeira de reciclagem. Ele não vê necessidade em reciclar, tampouco em ajudar na campanha de arrecadações para o abrigo do bairro. Antes de sair para passear no sábado com seu carro novo, aconselhou o porteiro a chamar a polícia caso o pedinte continue a rondar pelo bairro.

Eu sei que estou julgando mas assim como ele eu já derrapei na minha humanidade me esquecendo até de onde venho e para onde quero ir. Consumir, ter vida boa, almejar segurança, educação, viagens e um futuro brilhante para os filhos não é errado! Mas a proposta é outra: despir-se do egoísmo, do consumo desenfreado, praticar o voluntariado com mais frequência, atentar-se para o mundo a sua volta e como ele está definhando! Eu não sei se poderei mudar o Brasil e o mundo mas tudo ao que estiver ao meu alcance fazer de melhor pela minha sociedade e pela minha vida (o que impacta de uma forma ou outra o eco-sistema), quero fazer!

Essa é a principal proposta do Simplicidade Voluntária: Uma vida regrada pela consciência e felicidade simples sem a necessidade de apelo para supérfluo ou apoiada na infelicidade/destruição do outro para que somente EU e os MEUS saiam satisfeitos.

 

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Gostou dessa ideia doidona? 🙂
Nem sempre será fácil começar uma revolução na vida da gente mas não é impossível. Pense aí em todas as coisas que você quer fazer diferente em sua vida e provavelmente o Simplicidade Voluntária te levará até elas. O site do projeto tem cara de internet anos 90 mas tem todas as informações sobre. Se você está sem tempo para ler agora, listo os 3 primeiros conceitos pra você começar:

  • Seja crítico com as propagandas de consumo

Tenho falado sobre isso no Projeto Reinvente suas Roupas e Economize, lembra? Não consuma nada só por consumir, sem pensar, planejar, para ostentar ou provar alguma coisa para os outros. Cuidado com as propagandas que te empurram desejos maquiados de necessidades que você não tem.

  • Dê tempo para discernir a necessidade de uma compra

Lí no texto de um dos adeptos do movimento, o jovem empresário, Marco Gomes, uma tática para testar a força de seu interesse em um produto:

“Deu vontade de comprar algo que viu numa vitrine? Espere 30 dias, se ainda se lembrar é sinal que você realmente quer, pode comprar. O número de dias pode ser levemente alterado.”

 Marco Gomes – Simplicidade Voluntária, meu modo de viver

  • Recreação Saudável

Desligue um pouco a tv, os joguinhos e troque toda a diversão artificial por leitura, passeios no parque, medição e novas formas de se relacionar com o outro. Que tal um esporte? Você não precisa ter “roupa de corrida” para correr. Basta ter peças confortáveis e que deixam o corpo respirar. Não curte? Caminhe. Tem um SESC aí onde você mora? Quem sabe você não faz umas aulas de natação ou ginástica? Pedalar mais, jogar futebol e estimular todas estas e outras atividades em família. Uma dica para crianças são jogos e brincadeiras de cooperação ao invés de competição. Por que temos necessidade de ganhar SEMPRE?

Nos próximos posts eu vou trazendo mais conceitos ♣

 

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Independente de querer fazer parte ou não disso tudo, todo mundo precisa de planos na vida e que eles sejam plenos, sem prejudicar os sonhos dos outros. Já contei que desde o começo do ano de 2014 estamos poupando dinheiro comendo mais em casa, destinando uma parte pré-definida para uma poupança e reinventando as formas de nos locomovermos e nos vestirmos. Dito isso, colocamos nossos sonhos no papel, definimos o quanto vamos precisar para realizá-los e os passos. Eis aqui os dois maiores 🙂

1. Estudar inglês por 6 meses no exterior

Nossa primeira e única viagem para fora do país foi na lua-de-mel, a Buenos Aires. Sem cartão de crédito por restrição bancária, nossa vida tem sido cruel. Esse ano, além de poupar, estamos finalizando a quitação das dívidas e prontos para sonhar outra vez com um avião. A próxima parada é em algum país onde possamos estudar e nos tornar fluentes em inglês em 6 meses.

Começamos a pesquisa pelo lugar e pelos custos e provavelmente uma ação um tanto quanto “radical” será exigida da gente como a venda de alguns itens pessoais e da casa. Até o carro provavelmente vai embora já que ele não é mais tão importante pra gente. Verdadeiramente não será fácil mas todos os passos vamos compartilhando aqui. Estou empolgada! 😀

2. A vinda do bebê

Já me criticaram horrores por dizer isso mas a gente escolheu uma data: 2016, hahahaha.

É coisa nossa. Queremos um ano para colocar os negócios e a vida toda em ordem para que ele chegue em paz. Sei lá se estamos certos de pensar assim e querer dessa forma. O que sabemos é que a Simplicidade Voluntária pode nos ajudar a nos tornarmos pais melhores para o nosso filho. Sim, eu que nunca me imaginei mãe hoje sonho com isso… ♥

***

Espero que tenha gostado e me acompanhe. Até as cenas do próximo capítulo pois eu já escrevi demais e são 03:10 da manhã! 😉

Beijos da Sam!

 

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