República

Os motivos que levam jovens ou adultos a morarem em uma casa ou apartamento compartilhado – seja em um imóvel independente, seja em uma república – são bem variados, mas as situações enfrentadas por eles ao encararem essa mudança em suas vidas são, normalmente, semelhantes: nova rotina, novos contatos, novos problemas, novos afazeres e novas vitórias. A questão que fica é: como lidar com tudo isso?

Para os jovens, principalmente, deixar a casa dos pais para morar em uma república, por exemplo, parece a princípio a solução de todos os seus problemas e o passaporte para a liberdade e a independência. Ir para uma nova cidade, conhecer muita gente diferente, fazer o que bem entende na hora que bem entende e, ainda, viver praticamente de festa em festa… Ops, a realidade não é bem essa, não é mesmo, minha gente?

O processo de adaptação à nova moradia e à nova vida que vem junto com ela pode ser complicado.

O processo de adaptação à nova moradia e à nova vida que vem junto com ela pode ser complicado. A convivência em grupo não é uma tarefa fácil para a maioria das pessoas e os conflitos acontecem com mais facilidade do que você possa imaginar. É por isso que quando alguém, por trabalho ou por estudo, precisa dividir um apartamento ou morar em uma república, deve ter em mente que encontrará pessoas de inúmeras personalidades, estilos de vida e princípios diferentes e que existem formas de lidar com tudo isso.

VIVENDO EM APARTAMENTO COMPARTILHADO

A carioca Maria Fernanda Degenring (23) está cursando o último ano de Engenharia de Petróleo e Gás e, desde o início da faculdade, mora em apartamento compartilhado com outras três pessoas. O motivo que a fez dividir um apê foi a distância de sua casa até a faculdade. “Quando eu comecei o curso, fiquei um ano indo e voltando. Levava em torno de duas horas para chegar em Niterói. Até que surgiu uma vaga no apartamento de uma amiga. Não procurei muito, não foi uma coisa que eu corri atrás, apenas surgiu a oportunidade e eu aproveitei”, conta.

Segundo Fernanda, existem vantagens e desvantagens em dividir um apartamento. “Você aprende a se virar sozinha, amadurece. Dá mais valor ao dinheiro, porque vê quanto gasta em uma casa. Aprende a se organizar melhor e a ter paciência, porque é obrigado a lidar com pessoas diferentes”. E, sobre as desvantagens, acrescenta: “Você perde um pouco a liberdade. Acredito que morando sozinha você pode fazer o que quiser, do seu jeito. Não é obrigada a aceitar a mania dos outros”.

A estudante de Engenharia entende que algumas coisas são essenciais para uma boa convivência no apê. “Seja cauteloso. Saiba a hora de brincar com alguém, porque nem sempre a pessoa está na vibe, fica ofendida e essa nem era a intenção”, ela diz e acrescenta: “Também seja flexível. Todo mundo tem manias e gosta das coisas da sua forma. Por isso é bom respeitar e não impor nada, porque não dá certo”.

Sobre o funcionamento das atividades de rotina no apartamento, Fernanda explica que existe uma rotatividade na limpeza e que, “uma vez por semana, cada menina faz a limpeza em um cômodo e na semana seguinte faz em outro lugar”. Já em relação ao dinheiro, é feita “uma estimativa de quanto dá no geral e arredonda pra cima. Depois, é dividido para quatro e ainda tem um extra para eventuais problemas, como consertar alguma coisa que estragou”.

…o rateio das despesas é uma das vantagens desse processo…

Outro caso é o de Alis Mariane (30), que dividiu a estadia em alguns imóveis por seis anos com um amigo, sendo que, em alguns momentos, eles chegaram a morar com mais uma pessoa. Por estudo e, posteriormente, por trabalho, passou por Taubaté, São Paulo, Osasco e Santana de Parnaíba. De acordo com a mineira natural de Poços de Caldas, o motivo principal que a levou ao apê compartilhado foi dinheiro, pois não tinha o suficiente para pagar um apê sozinha e entendeu que o rateio das despesas é uma das vantagens desse processo, juntamente com “a companhia das pessoas com as quais você divide o apê. Se elas são agradáveis e seus amigos, se tornam uma extensão da sua família”.

Ela não teve muitos problemas de convivência. “Na maioria da vezes, era bem tranquilo. Sempre existem conflitos quando você mora junto com pessoas que vem de costumes diferentes dos seus, mas aprendemos a lidar com nossas diferenças com o tempo”, diz. Pela sua experiência, Alis acredita que o ideal é você “dividir um apê com alguém que tenha afinidades ou que seja de fácil convivência, pois aquela acaba se tornando a sua segunda família” e acrescenta: “A minha dica é achar pessoas compatíveis, para que a convivência seja agradável, e estabelecer algumas regras pra que não haja muito desconforto ou brigas”.

Quando lemos os depoimentos de Alis e Fernanda, percebemos que existem pontos importantes para serem levados em conta quando compartilhamos um imóvel, principalmente se for um apartamento ou uma casa independente (e não uma república). Nesse caso, há uma maior liberdade para que os moradores possam organizar suas regras e estipular horários. Além disso, é um pouco mais fácil encontrar um colega que se enquadre no mesmo cenário que o seu e que tenha pontos de personalidade parecidos com os seus.

Acontece que um imóvel compartilhado ainda pode sair caro para quem não tem condições. E, nesse contexto, uma república cai muito bem, obrigada, pois o morador terá ainda menos gastos com aluguel, condomínio, luz, água, telefone, internet etc. Tudo bem que dinheiro não é o único fator e a sua felicidade e bem estar contam muito também, mas se você não tiver grandes problemas em socializar e conviver com mais pessoas ou se deseja viver novas experiências, repúblicas são ideais.

VIVENDO EM UMA REPÚBLICA

Amanda Braga (18) ingressou este ano no curso de Letras e precisou mudar de cidade para fazer uma universidade federal. Sendo assim, seus pais conseguiram uma vaga para ela em uma república feminina próxima ao campus universitário, na qual ela divide um quarto com outra menina. “O ideal era dividir um apartamento com alguém que eu já conhecia, mas não foi possível. Então, procuramos algumas repúblicas e, depois de ligar para várias, a única que visitei foi a que eu fiquei”, conta.

Na hora de pesquisar uma república, é imprescindível saber quais são as regras estabelecidas em cada moradia…

Na hora de pesquisar uma república, é imprescindível saber quais são as regras estabelecidas em cada moradia, antes de escolher por uma delas. Depois, não adianta reclamar das normas do local e criar confusão. Visite pessoalmente, conheça outros moradores, avalie cada questão e sinta se o clima lhe agrada ou não.

A república escolhida por Amanda, segundo ela, é bem grande e formada por alguns pavimentos, pelos quais são divididos os quartos duplos, triplos ou para mais pessoas. Cada pavimento tem uma cozinha geral e um banheiro para cada dois quartos. Também há uma sala de estudos ampla para todas as moradoras da república.

Mesmo com tantas pessoas morando em um só endereço, a estudante acha a convivência excelente. “Foi muito melhor do que eu imaginava! A nossa relação é muito boa e, inclusive, as meninas dizem que a relação que elas tem na república é melhor do que a que elas têm com as pessoas da faculdade”, diz e acrescenta: “Além disso, nós temos regras.  Nós fizemos no início deste ano. Elas não são totalmente cumpridas, mas já organizam bastante. Dividimos armários e geladeira por quarto e também criamos bilhetes para o bom uso do banheiro. A gente sempre lava a louça e arruma a bagunça do quarto”.

Embora tenha pouco tempo de convivência e pouca experiência morando em uma república, a futura professora, logo de cara, percebeu as vantagens em dividir um quarto: “Você conhece pessoas mais rápido do que se morasse sozinha e troca experiências. A menina que divide o quarto comigo, por exemplo, já está na faculdade há três anos e me ensina várias coisas sobre a universidade em que estudamos”. As desvantagens? “Poderiam ter muitas desvantagens, mas a gente sabe lidar bem com elas. O principal é não ficar reclamando dos problemas das pessoas. E, quando for preciso, saber reclamar. Se tiver algum problema, fale com a pessoa sozinha, sem expor a situação para todos”.

O que percebemos é que, em um apartamento compartilhado ou em uma república,  organização é fundamental para quem divide um imóvel com outras pessoas…

O que percebemos é que, em um apartamento compartilhado ou em uma república,  organização é fundamental para quem divide um imóvel com outras pessoas, além de bom senso para não invadir o espaço de ninguém. E a mesma organização que você deve ter com seus pertences é válida para o pagamento das despesas, sempre dentro dos prazos. O outro ponto fundamental é não se indispor com os outros moradores. Respeito sempre, certo? Não custa nada maneirar no volume do som, controlar um pouco a entrada e saída de visitas ou tentar dialogar quando tiver algum problema.

Vamos combinar que, não importa onde nem quando, todos devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados: com educação, diálogo e respeito. Dessa forma, fica fácil criar laços de amizades, conhecer os limites do próximo, compreender que as pessoas precisam de privacidade em alguns momentos e ser presença querida entre os moradores do seu novo lar. No fim das contas, aproveitar as novas experiências da melhor maneira é encarar o desconhecido com coragem e muita simpatia.

  • JHON TORRES

    Ótimo blog!
    Tava pensando em mora na Espanha,tava pensando em mora em Málaga parece ser boa cidade !
    Thais você ainda mora na Espanha?
    Se sim poderia fazer uma comparação de coisa(tipo roupa,eletronico e etc ) de Málaga e de alguma cidade do brasil acho que ia ser maneiro

  • BelaaFlor

    Olá!
    O que aconteceu que este blog não é mais atualizado? Está abandonado… É uma pena!!! Eu gostava tanto… 🙁
    Que tal reviver o MSG, Sammia? Pense nisso com carinho…
    Abraços.